domingo, 4 de dezembro de 2011

Um pequeno ♥


Alice, o bebê mais fofo da zona oeste e adjacências


Pra irmã do Gabriel, a Lia Salomão. Cara, sem ela e sem a Alice minha sobrinha-bebê-muffin-mais-fofa-do-mundo eu entraria em pânico três vezes ao dia. É muito confortante ter alguém próximo que acabou de passar por isso. Quem diz que gravidez é moleza devia ficar grávida anualmente com intervalos mínimos pra ver o que é bom pra tosse, homens inclusos. :-) A verdade é que é sim, muito legal por um lado, mas dá pra ficar muito neurótica com qualquer coisa (ai senti uma dor na planta do pé - aí você dá um google e dor na planta do pé está relacionada a partos prematuros. Pra TODO sintoma irrelevante da gravidez tem um site/blog/especialista dizendo que vai dar tudo errado). Mas aí eu olho pra pequena muffin e dou uma mini conversadinha com a Lia e lembro que vai dar tudo certo, pois simplesmente tem que dar. E dá.

Quando eu comecei a sentir os primeiros sintomas da gravidez achei que tava com um tumor no cérebro, para vocês terem idéia da neurose. Enxaqueca e salivação, uhum, acho que já vi isso num episódio de House... Então é muito confortante lembrar que nem toda dor, nem todo estica e puxa, nem todo vômito é sinal de tragédia. É só sinal de que você está grávida, fazer o que, guenta aí que daqui uns meses passa. E você vai ter a vida inteira pra ser neurótica e feliz com outras coisas, como com esse sorrisão banguela aí.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Feminismo e Gravidez


Toda Mulher É Meio Leila Diniz
Ficar grávida é ter que tomar muitas decisões a respeito do próprio corpo. Caso seja uma gravidez não desejada, a decisão de levá-la ou não adiante, e arcar com as consequências dessa decisão. Decidir até que ponto se aceita intervenções médicas invasivas como a amniocentese, decidir o tipo de parto, de amamentação. E depois que o bebê nasce arcamos com decisões a respeito do corpo do outro, e como mãe essa decisão é (ou deveria ser) soberana: desde furar as orelhas de sua filhotinha até seguir ou não o protocolo de vacinação oferecida pelos pediatras.

A mulher tem que estar muito fortalecida, segura e bem informada para tomar essas decisões com tranquilidade. Por que olha, cada um vai dizer uma coisa e todo mundo vai te dar um monte de opiniões conflitantes. Então é você que tem que querer.

Quando pensava em como levaria a gravidez, não tinha a mais puta idéia do que aconteceria, achava que questões relativas ao feminismo iam ter muito mais a ver com a criação que você dá pra criança depois que ela é maior do que em questões relativas ao processo de gerar. Posso dizer que isso foi uma baita ingenuidade. Tolinha.

Já me torceram o nariz quando souberam que eu não era casada. E olha que eu vivo em um relacionamento estável com o pai da criança, que é meu namorado, marido, companheiro e tudo mais. Depende do nosso humor na hora. Já torceram o nariz para um nome relativamente unissex que eu escolhi, pois isso pode "confundir a criança" (me pergunto até agora a que tipo de confusão essa mente pervertida se refere). Nem comento sobre puta trabalho que dá você decidir por um tipo de parto que foge do parto convencional de convênio médico, quase uma certeza de cesárea com um plantonista mal humorado com essa mulé parindo (assunto para outro post) ou sobre mulheres que a pretexto de serem defensoras de um parto natural julgam e condenam outras mulheres sem dó nem piedade (assunto para outro post também).

Todas essas questões são questões muito pertinentes ao (meu) feminismo, que se descortinam agora pra mim e se impõe como realidade, pois feminismo não é só a luta pela igualdade num mundo desigual, é sobre as mulheres e o poder de escolher o que é melhor para si mesmas, suas vidas e seus corpos. E existe transformação corporal mais radical e consequências sociais e de vida mais dramáticas do que as proporcionadas por uma gravidez?

Acho curioso que sejamos vistas pelo senso comum como um bando de mulheres que odeiam outras mulheres, que não suportam a idéia de ter filhos e que têm como único objetivo a eliminação dos homens do planeta. Em tempos de internet é mole dar um googlezinho, achar livro da Simone de Beauvoir em pdf, um blogzinho tipo esse aqui, um artigo acadêmico, um textinho de Feminism for Dummies e se informar, descobrir que poder de escolha é a luta mais bonita do feminismo, e escolha é também é a chave para viver com tranquilidade todo o processo gestacional.

O parto da Lilian

A Casa Angela é uma casa de parto na Zona Sul de São Paulo. Ela atende gratuitamente as mulheres da região de M'Boi Mirim e mulheres de outras regiões têm a opção de pagar. O legal da casa Angela é que nas consultas pre natais ela é preparada com informações sobre parto, tem acesso a informações preciosas que se não forem ditas podem fazer com o que um trabalho de parto acaba na mesa de cirurgia em uma cesariana desnecessária. A Lilian Andrade teve sua filhinha lá, e conta um pouco de como foi a experiência nessa matéria.



Confesso que toda vez que tenho visto/ouvido relatos de parto tenho chorado pra caramba... É mais forte do que eu! :-)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Gorda

Por mais que você saiba que está grávida, eu acho essa fase do início bem complicada para a autoestima. Ninguém sabe que você está grávida, você parece uma chubzinha fora de forma, principalmente quando está de biquini e calcinha. (tô quase abolindo, pq pelada me sinto bem melhor do que com as carcinha me apertando as carrrne).

Hoje eu fui à praia e o biquni que cabia perfeitamente até uma semana atrás começou a entrar na bunda e não cobrir a virilha direito. Ainda bem que como é dia de semana a praia estava vazia e eu estava entre amigos e relaxei. O problema é que isso está acontecendo com todas as minhas calcinhas.

Eu nunca fui a hippie louca da bata, mas tô achando que não vai ter jeito. Vou comprar um brinco de pena e fingir que fumo maconha até minha barriga de verdade aparecer. Sei lá, usar uma sandália de couro. 

Pois é assim, seu útero, abaixo do osso do púbis e do umbigo tá duro e crescendo. Aquela pancinha debaixo do umbigo se reacomodou INTEIRA ao redor do umbigo, fazendo de você uma barrigudinha daquelas que tomam muito chope ou não resistem a um muffin. Ninguém acha que isso é gravidez.

Lógico que na maioria das vezes eu não tô nem aí. A pança só significa que filhote está bem, crescendo, saudável. Mas às vezes olho no espelho e acho inevitável não me assustar que meu status gradualmente está mudando de fêmea atraente potencial reprodutora para fêmea já fecundada e de potencial sedutor nulo. E isso não tem nada a ver com estar gorda, quem já era mais cheinha ou bem magra também deve sentir mudanças bem parecidas. Na verdade a principal coisa é que essa mudança física é muito rápida, e é complexo se adaptar assim, de chofre.

Explico agora o potencial sedutor nulo: gravidez não impede (ou não deveria impedir) ninguém de transar. Ao menos não impediu a mim. Mas gente, vocês acham mesmo que é fácil, mesmo pra uma mulher bem resolvida e cheia de auto estima ganhar 2 kg por mês (no barato) durante nove meses? Numa sociedade que estampa pré púberes anoréxicas em todo canto, como símbolo virginal intocado de desejo e aspiração (e por isso também estéril), a grávida é quase uma obcenidade.

Conto nos dedos os homens e mulheres que falam sinceramente: a mulher grávida é bonita, seus contornos são sensuais. Dedos de uma mão só diga-se de passagem. Pata talvez seja o animal com o qual mais seremos comparadas depois do evento gravídico. Esquece a gata, gente. Só daqui um ano e meio, se a natureza for generosa. Mas isso é quando a gente fala do olhar do outro.
No vídeo acima, Beyoncé, aos 4 meses de gravidez se apresentando no VMA

Se a gente for menos apegada aos padrões estéticos e de consumo que a sociedade nos impõe e prestarmos mais atenção nas sensações da gravidez, vamos perceber um movimento completamente diferente, quase uma contradição: quanto mais a gravidez avança mas eu me sinto gostosa. poderosa, sinistra. Eu sempre reparei essa empáfia na cara das grávidas, e nunca entendi exatamente o que era. Pois é. Não é empáfia não. É poder.

Tudo na gravidez grita para que façamos isso: para que olhemos mais para dentro do que para fora, mas o mundo chama e os velhos hábitos estão enraizados e a gente acaba resistindo a esse apelo da gravidez de esquecer o que está no entorno e se tornar mais autocentrada. Desvendar a verdade do que estamos sentindo. Parece que esse é um dos ensinamentos, e quando o aceitarmos teremos nós todas, para sempre, um ventilador metafórico pra balançar nosso cabelo cada vez que colocarmos os pés no palco. Tipo a Beyoncé. ;)

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Só a nível de curiosidade: é saudável engordar de 10 a 15kg na gravidez. Mulheres magrinhas geralmente variam para mais (o corpo precisa de mais aporte calórico),  e mulheres mais cheinhas podem variar menos. Mas o importante é se alimentar bem e não fazer dieta de emagrecimento. Sei que parece óbvio, mas tem gente que realmente acha que jejum durante a gravidez é algo aceitável para saúde. Não, não é.


A árvore de natal

Cheguei no Rio ontem, como sempre ansiosa, meio tensa com a viagem. Tinha planejado ver minha vó, meus primos, mas uns reveses de trabalho vão me fazer voltar para São Paulo antes do tempo.

Já desembarquei triste e mal humoarada por esse ano que tá demorando horrores para acabar, pelo azar das gravações no rio terem caído e eu ser obrigada a voltar para São Paulo sem conseguir compartilhar esse momento com a minha família e com os meus amigos. Por ter que fazer um ultrassom novo nas vésperas do natal e não poder ficar mais tempo com minha família no fim do ano e ajudar a preparar o natal, coisa que eu adoro.

Daê sentindo toda essa shit, eu chego na casa da Tia Marinete e vejo a árvore de natal que ela montou para me receber. Sério, vou botar a foto, vocês não vão acreditar.

Árvore de natal da Tia Marinete, da Malu e do Guiga

Tem como não amar minha família? Tem como não amar natal? É uma árvore que ao invés de bolas e luzinhas tem sapatinhos de bebês, mamadeirinhas, chupetas, bebezinhos em miniatura. Cara, eu pulava feito uma criança quando eu vi.

Esse baby já está sendo muito bem recebido, vai ser um folgado. ;)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Desejo

Que vontade desgaçada de comer geléia de mocotó imbasa. Alguém me diz se isso ainda existe?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Feijão, esse matreiro

Fui fazer o ultrassom morfológico hoje.

Na primeira passada o médico já avisou: xiiiiii. Você deve ter ovulado mais tarde. Esse bebê tem 9 semanas e seis dias e não onze semanas!

Ou seja, nada de saber sexo, nada de translucência nucal, nada de ultrassom morfológico, só uma ultra comum.

Ouvi o coração, vi o bebê: que é muito fofo, por sinal, já tem jeitão de gente. Foi emocionante, só não foi melhor por que o plano e o laboratório foram um lixo.

Cara, é impressionante como você é maltratada quando tá grávida, nego não tem dó. O estresse que eu passei eclipsou parte do momento que era pra ser legal e relaxante: ver e ouvir pela primeira vez o bebê.

Primeiro, que apesar de ter agendado o exame, cheguei no laboratório e eles simplesmente ignoram o agendamento, você recebe uma senha e atendido por ordem de chegada. Pô, mas se precisa agendar, qual é sentido? Fui tão bem atndida no laboratório A+ da Itapeva quando fui fazer os exames laboratoriais, e esse da Bela Vista é horrível. Profissionais despreparados e essa exigência absurda de agendamento que não é cumprida.

Quando agendei o exame pelo telefone eles perguntam o número de semanas e o nome exato do exame. Quando finalmente chamaram meu número, fui informada que o exame que eu queria (Ultrassom morfológico de primeiro trismestre) não é coberto pelo plano, apenas a versão transvaginal. Fiquei indignada, afinal, se não cobria o que eu pedi eles deveriam ter informado no agendamento. Daí em diante foi um show de horrores.

A atendente do laboratório disse que a Golden Cross só liberava os exames após as oito da manhã, mas o meu estava agendado para as 7:40. Se o Plano só atende a partir das oito, pra que deixar que o paciente agende antes das oito? Depois de muito insistir que eles entrassem em contato com o plano uma nova atendente chegou e disse: não sei por que sua médica pediu esse exame para décima primeira semana, não dá pra ver nada, só pelo transvaginal dá. Liguei pra médica, que desmentiu e disse que não existia a menor necessidade de fazer o exame via vaginal. Ou seja, a atendente do laboratório A+ MENTIU pra mim na cara dura.

Pô, era meu primeiro ultrassom, eu e Gabriel esperamos tanto por isso e ao invés de se concentrar em ver a silhueta do bebê e os batimentos no monitor ele ia ver o médico enfiando um consolão na minha buc*****. Super humano, gentil. Obrigada Golden Cross. O exame pela barriga daria as mesmas medidas, a translucência nucal e tudo mais que o diagnóstico precisa, mas a cobertura por uma questão ínfima de custos prefere apenas disponibilizar o exame mais constrangedor e invasivo. Cara, Hipócrates não tem paz nem sossego se revirando no túmulo cada vez que os planos de saúde fazem uma patuscada dessas.

E a burrice toda é que minha médica não pede nenhum exame desnecessário, ela é super low profile. Qualquer outra grávida no meu período de gestação já fez trocentos ultrassons comuns. Eu só (ia) fazer esse... Mas né? Até a DIX cobre esse ultrassom morfológico de primeiro trimestre mas por uma contenção de custos burra a Golden Cross só faz esse exame pela via vaginal. Muito escroto.

Voltando:

Nisso eu ligo pro plano e o plano confirma que só cobriria a via vaginal e se o laboratório quisesse ele podia faturar por outro código que aí receberiam. OU SEJA, A Golden Cross plano empresarial especial que se gaba de cobrir TUDO não cobre um exame de rotina sugeriu que o laboratório cometesse uma fraude administrativa para que eu fizesse o exame. Nossa, foi nessa hora que eu me senti em boas mãos: a pessoa que me atende no laboratório mente sobre a eficiência do exame que minha médica pediu e o plano sugere uma fraude para cobrir um buraco na sua cobertura.

Falei para atendente que ela tinha mentido e ela recuou: A Golden Cross é um SUS, minha querida. Eles não vêem necessidade de fazer ultrassom morfológico no primeiro trimestre. Só no segundo trimestre. O detalhe é que APENAS NO PRIMEIRO TRIMESTRE o exame de translucência nucal pode ser feito.

Um luxo, né?

Nisso eu e o Gabriel decidimos pagar no particular 350 conto. De tanto estresse, comecei a passar mal: dor de cabeça e enjôo que tinham sumido, voltaram com força total. Não falei nada para não estressar o Gabriel e lá fomos pra sala de exame.

Ver o baby pela primeira vez compensou o estresse. Mas né? Fiquei analítica, não consegui me entregar à emoção. Só perguntei pro médico se estava tudo bem com ele. Ele disse sim e pra mim tava bom isso.

Como acabamos não fazendo o morfológico, extornamos o valor do exame e fizemos a ultra comum pelo plano mesmo. A certeza agora é que vamos fazer o morfológico daqui 3 semanas. E não vai ser no A+ e a Golden Cross ainda vai ouvir umas verdades hoje.