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terça-feira, 15 de novembro de 2011

9 Semanas e Os Silva.

Oi Feijãozinho.

Hoje você faz 9 semanas e entramos no terceiro mês. Aff, nem parece que eu estou grávida desde setembro, mas é verdade.

Essa semana você começa a dobrar o cotovelo, isso significa que você já tem um esqueleto primitivo e suas articulações se formaram. Também é a semana onde a genitália se forma. Ou seja, você já decidiu se é menino ou menina desde o dia da concepção, mas só agora tá decidindo mostrar pro mundo. Tudo ao seu tempo.

Estou bem ansiosa pelo ultrassom que vai me dizer como é a sua carinha e provavelmente, seu sexo. Também vai dizer se você é perfeitamente saudável, mas eu meio que já sei que você está ótimo. Sinto você fortão por aqui: super enjôos me contam que você anda mandando ver na produção de hormônios.

Continue crescendo bonitão, estamos todos aqui te esperando. Sua vó Marilene é doidinha, mas mesmo morando no Rio está sempre ao meu lado. Falamos sobre você todos os dias. Ela me tranquiliza e me conta sobre como ser mãe, pois eu não sei como se faz nada. Mas estou em boas mãos, pois ela foi a melhor mãe do mundo. Juro, um dia te conto tudo. Já seu pai, Gabriel, resolveu ficar grávido junto: tem sono, muita fome, desejos. Hoje ele quis pudim, é mole? Mas acho que você já sabe, pois ele conversa muito com você.

Tenho que te contar sobre a família carioca que vai te receber: ela é enorme. Temos muitos nomes, mas somos Os Silva. Você vai gostar muito de ser um Silva. Infelizmente você não vai conhecer seu biso Antônio, que foi quem inventou esse nome pra família, mas eu tenho muitas histórias dele guardadas pra te contar. Sua bisa Zilda é uma mulher muito sábia e bonita, você vai gostar muito dela, pois mesmo bem velhinha ela tem um cheiro bom.

Você tem cinco tias-avós, irmãs da sua vó Marilene. São mulheres maravilhosas, você vai ficar besta quando encontrar. Cada uma é bem diferente da outra: tem louras, morenas, altas e magras, mais baixinhas e gordinhas. Mas todas são amorosas e muito guerreiras. Só um bebezinho pra derreter essas tias, e você já tá derretendo elas demais, tem que ver. Não sabemos ainda se você é menino ou menina, mas de uma coisa sabemos: não tem preço ser criado numa família com essas mulheres tão fortes. Tudo muda, a perspectiva de ver a vida muda, é a vida vista pelo lado das mulheres, mães, amigas. É o mundo como o mundo poderia ser. Ah, e se você quiser chorar num ombro macio, dar uma risada com uma piada suja e impublicável ou espalhar uma notícia bem rápido, é só ligar pra uma delas. Elas são ótimas nisso.

E tem seus primos. Cara, você tem muitos primos. São 9, na ordem: Felipe, Rodrigo, Camilla, Victor, Raphael Lindo, Eduardinho, Malu, Pedro e Guilherme. Eles são muito divertidos e querem ser tios logo, parece. Espero que um deles descole logo um amigo da sua idade, afinal, todos nós sabemos como foi importante a nossa infância, nossas férias, e todas as brincadeiras, brigas e descobertas que fizemos juntos. Imagina que chato crescer numa família toda cheia de adultos...

(Malu, Guilherme e Pedro podem sossegar o facho, que está muito cedo. O resto já pode ir produzindo!)

Você tem uma tia também, minha irmã, a Bel. Com ela você vai aprender as coisas mais legais da vida, pois sua tia sabe coisas que ninguém mais sabe. Ela detém um conhecimento que é um conhecimento de amor. Ela sabe duas línguas além do português: a língua da franqueza e a língua dos animais. Espero que ela te ensine as duas, pois sua mãe é muito sabonete e prefere muitas vezes sair pela esquerda do que dizer o que deve ser dito. Sua tia Bel nunca faz isso.

Um dia você vai conhecer todos eles. E eles também vão te conhecer. Você vai saber como é um natal Silva, uma fofoca Silva, uma desorganização de eventos Silva, as alegrias Silva, as tristezas Silva. E vai saber como é ser amado por todos esses Silva. É a melhor sensação do mundo. Mas não posso contar mais: você vai descobrir. E estaremos todos lá pra ver.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Coisas que eu morro de medo na gravidez

Tirando as nóias normais das gestantes (conheço grávidas que não dormem na noite anterior ao ultrassom pensando no que pode ter de errado com o bebê), existem os medos mais realistas, digamos assim. Tipo, não dá pra dizer que você não pensa essas coisas, pois você pensa. Todo mundo pensa. E se você não ficou grávida ainda, vai pensar quando ficar. Não vamos nos rotular de insensíveis. Insensível é quem não entende que mesmo esses medos são legítimos.

Vamos a mais uma lista dos 9 meses que dão nome a este blog!

1 - Engordar muito - por mais que você coma certinho e não seja uma gordona e que todo mundo diga que a amamentação emagrece muito, dá muito medo de engordar demais. Dizem que o certo é de 9kg a 12kg, mas nunca conheci uma grávida que tenha engordado menos de 15kg. Só minha mãe que engordou OITO quilos. Ela falou que fazia muita faxina. Tem dia que eu nem consigo levantar da cama.

2 - Não conseguir emagrecer depois do parto - esse você não pode contar pra ninguém. Sempre retrucam "que bobagem, você vai ter tanta coisa pra fazer que nem vai ligar pra isso". Bom, duvido que eu não ligue.

3 - O namorado/marido não querer mais transar com você - Sério, muito difícil não passar isso pela sua cabeça.

4 - Pior, você não querer transar com o namorado/marido - Tem mulher que tem aversão ao pai da criança durante a gravidez. Tem mulher que perde o tesão geral. E o medo de não recuperar a libido e ficar assim PARA SEMPRE?

5 - Estrias - Cara, são impossíveis de tratar depois que se instalam, por mais que digam que existe remédio e tratamento estético. Eu particularmente, morro de medo de ficar listrada. Se pudesse dormia numa banheira de óleo.

6 - Não conseguir amamentar - eu sei que tem um monte de coisas que você pode fazer para evitar isso. Mas acontece. tem gente que não consegue, não rola, dói, sangra. Existem tratamentos eficazes, pomadas, massagens, banhos de sol. Mas duvido que se meu filho não pegar peito eu vou ficar insistindo com ele me olhando com uma cara faminta. Acho que rapidamente sucumbiria à mamadeira.

7 - Ter depressão pós parto - Parece que 25% das mulheres tem algum tipo de depressão depois do parto. Eu fico triste quando mudo de casa, quando termino um freela, quando tenho que voltar de uma viagem. É difícil para mim terminar ciclos, tenho certeza que vou ficar mega deprê quando a barriga se for.

8 - Amarelar na hora do parto normal - Minha médica é ótima, tem 85% de partos normais. Tenho lido muito sobre partos naturais e tenho gostado bastante de tudo que tenho lido. Mas MORRO de medo de amarelar e não conseguir parir por causa da dor.

9 - Antipatizar com o bebê - Eu sei que nenéns foram projetados para a fofura: cabeça grande e olhos grandes, nariz delicadinho. Um mangá humano feito para ser simpático. Mas tenho medo de não conseguir pegar, lidar, botar pra dormir, afogar a criança na banheira sem querer. Assim, um erro crítico qualquer, um game over de instinto materno. Sei que é difícil, mas as vezes penso nisso.

10 - Virar uma freak mommy - Sabe aquela moça que só sabe falar do bebê, só anda com mães de bebês, que não faz idéia do que acontece no universo além do universo dos bebês, que não deixa a criança mexer com um gato por medo dos micróbios, que segue manuais cegamente, que hostiliza mulheres que não querem ser mães, ou mães que dão antibiótico ao invés de homeopatia, que cogita mudar para o zimbábue por que lá o índice do ar é mais puro? Pois é medo de virar dessas, pois passam muitos pensamentos assim na nossa cabeça. É bem real pensar um troço desses, pois o mundo não é muito gentil com as gestantes e mães, então a gente acaba ficando MEI RADICAL pra proteger certos princípios, mas conheço várias pessoas que passam do ponto legal.

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Duvido que pelo menos uma dessas coisas não aconteça. Mas ter filho é muito coisa de maluco, se você pensa, racionaliza, não faz. Então, assim, é cair pra dentro e encarar as surpresas que vem. Inclusive as boas, que certamente vão aparecer pelo caminho.